terça-feira, 11 de junho de 2013

Framboesas e Reflexões...hummmm!



Há mais mistérios em colher framboesas do que sonha a nossa vã filosofia...

Framboesas da Chácara Anjos do Amanhã - by Mariblue

Há duas semanas tive uma experiência singular...colhi framboesas. 

Isso mesmo, framboesas!

Além da surpresa ao me deparar com um pé de framboesa antes nunca visto, ao reparar nas folhas me lembrei das saias plissadas do uniforme escolar da minha infância.

Ao escorregar minha mão para avidamente colher uma framboesinha que parecia sorrir para mim, ouvi um alerta: cuidado! Aprendi a minha primeira lição: NÃO PODEMOS ALCANÇAR DOÇURA E BELEZA SEM UM POUCO DE DOR. É que os espinhos nos galhos da planta são invertidos, espetando as mãos quando estão no sentido inverso, na hora de recolher a fruta.

Framboesas da Chácara anjos do Amanhã - by Mariblue.
Além disso, a framboesa não se deixa ganhar assim tão facilmente. Ela oferece certa resistência, exigindo um pouco mais força, mesmo parecendo tão delicada.

Entretanto, se fizermos muita força ela se desmancha. Assim aprendi a segunda lição: NÃO PODEMOS FAZER MUITA FORÇA PARA GANHAR ALGUÉM, OU ALGO; se o fizermos podemos magoar, machucar ou ferir a quem nos ama ou a quem amamos.

Em geral aquilo que é mais frágil ou que nos é muito caro ganhamos pelo jeito, pela atenção e pelo cuidado que lhe dedicamos.

by M@riBlue.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Me apaixonei por uma coruja



Fonte da Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Coruja-buraqueira


Incrivelmente passei a apreciar corujas depois que tive um contato muito intenso e prolongado com uma delas. Era uma dessas corujas buraqueiras muito comuns aqui em Brasília. Era uma tarde de domingo e eu havia feito minha inscrição para um concurso público. Meu foco de atenção para esse concurso era tão mínimo que, além de não me lembrar agora qual era o concurso, na época eu mal sabia  em que lugar faria a prova. Acabei indo para a Universidade de Brasília, por que 'achava' que havia lido em algum lugar e momento que faria prova por lá.
Fui de carona com mais duas pessoas que também fariam prova. Até aí tudo bem. Na UnB acessando a internet descobri que meu local de provas era outro (claro que não me lembro qual), muito distante de onde estava e, óbvio, não havia tempo hábil para me deslocar. Moral da história: acabei ficando por ali para esperar a carona de volta para casa. Estava na Ala Norte da UnB (quem conhece o Minhocão vai se situar). Saí dali e segui em direção ao RU (leia-se Restaurante Universitário). Era uma tarde de pouco calor, a temperatura estava amena. O caminho em diagonal para o RU tem além das estradas de cimento e das escadas, canteiros e áreas verdes, com direito a flores, árvores e palmeiras. Encontrei uma sombra boa próximo a uma escada. Ali me sentei. Poucos minutos depois notei que tinha companhia: uma coruja pousada sobre os galhos de uma árvore que tinha ali perto me chamou a atenção. Fiquei observando-a por alguns segundos e, para minha surpresa, havia outra coruja por ali. Essa estava no chão relativamente próxima a mim. Fiquei imóvel e passei a observar os seus movimentos. Eu havia me sentado no segundo ou terceiro degrau da escada, e procurei me sentar mais à esquerda para não atrapalhar quem por ali passasse. Observei que no cantinho do degrau havia terra vermelha remexida e esterco. Continuava a observar minhas novas amigas. Notei que elas giravam a cabeça inquietas, em giros de até 270º, achei aquilo muito curioso (nunca havia prestado atenção nesses seres tão fascinantes) e o que mais me chamou a atenção: aqueles olhões olhando tudo, tão rápido e tão intensamente. Foi aí que minha amiga no solo se aproximou um pouco mais. Tive medo de que ela fosse me atacar mas permaneci imóvel. Foi então que nossos olhares se encontraram. Quem já teve a oportunidade de reparar nos olhos de uma coruja vai entender o que senti naquele momento! Ela me fitava com aqueles olhos imensos e profundos, eu me sentia capturada, presa; refém daquele olhar. Não conseguia tirar o meu olhar do dela. A partir daí tive uma experiência de autorreflexão inacreditavelmente singular: trechos da minha vida, momentos marcantes, tristezas, dores, alegrias, perdas, amores, fracassos, decisões, problemas, sucessos e outros sentimentos vinham à tona com uma força e uma clareza desconsertantes. Comecei a repensar minha vida, algumas decisões recentes; tomei consciência de alguns medos, percebi erros. Chorei amores e perdas, reencontrei pessoas e revi a pessoa que fui em outros momentos da vida. Eu parecia hipnotizada por aquele olhar! Não posso precisar quanto tempo de relógio esse encontro místico durou (pelo menos 1h de relógio, sem dúvidas), mas sei que o tempo psicológico teve a duração de uma eternidade e até hoje tem reflexos na minha vida. Depois desse contato com as corujas comecei a me interessar por elas. Li que as corujas buraqueiras andam sempre em pares (o macho geralmente é monogâmico), cavam buracos para descansar ou construir ninhos e usam estrume para revestir o ninho (por isso o esterco perto da escada). Além disso, são relativamente tolerantes à presença humana (daí o longo tempo em que nos fitamos). Seus olhos são bem grandes, podendo inclusive ser maiores do que os seus cérebros, e elas possuem visão binocular (enxergam um objeto com os dois olhos, e tem visão tridimensional - altura, largura e profundidade).

Curiosamente, alguns anos depois de ter vivenciado esse episódio, me deparo o seguinte trecho de uma postagem em um blog:

"Na essência, a coruja vê o que os outros não vêem, e pode ter mais percepções a respeito de outras pessoas do que de si mesma. Mas mesmo assim, o poder desse animal pode ser 'utilizado' para que a pessoa desperte a capacidade de olhar para si mesma, em busca de uma visão mais íntegra a respeito de si, ou de aspectos que ainda permanecem obscuros e precisam ser vistos".




Incrível, né?
Agora é mais fácil entender porquê sou apaixonada por elas...


Ah, se vc quiser saber mais sobre as corujas:

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

As voltas que o mundo dá...





 
Curioso como a vida nos coloca em situações tão surpreendentes...

Hoje observando o Cerimonial da Guarda Militar para recepcionar autoridades estrangeiras no Palácio do Planalto me lembrei de uma época em que passava na porta dessa imponente edificação sentada no banco do carona quando calhava de ir com uma amiga em seu carro para a Universidade de Brasília.
Somando-se a tranquilidade e o conforto do deslocamento à variação da paisagem, o ponto máximo da viagem não era exatamente o momento em que chegávamos à Universidade, mas, quando passávamos na porta do Palácio e os soldados que faziam a Guarda estavam lá, a postos, inertes e enrijecidos tal qual estátuas. Lembro bem que os meus preferidos eram os Dragões da Independência.
Eles trajavam suas vestimentas com variações de branco e vermelho, usavam coberturas de cabeça com uma longa cabeleira negra, lanças pontiagudas e coturnos reluzentes ao sol. Meu prazer era, ao passar por eles, abrir completamente o vidro do carro, acenar e gritar um sonoro BOM DIA!
Fiz isso repetidas vezes sem esperar qualquer tipo de retorno, até que um dia um deles acenou de volta. Aquilo significou a glória para mim, pois jamais imaginei que algum deles fosse me cumprimentar! Até o final do percurso eu e minha amiga rimos muito do ocorrido.
Alguns anos depois (e aí está a graça da vida) posso ver o batalhão inteiro dos Dragões da Independência se posicionar para receber chefes-de-estado de outros países, estando eu do lado de dentro do Palácio do Planalto.
Descobri também, conversando com um desses imponentes Dragões, que muito provavelmente aquele soldado que me cumprimentou recebeu uma reprimenda ou punição, considerando que eles tem de ficar imóveis por um determinado período de tempo.
Confesso que a informação me causou uma rusguinha de preocupação, mas o que me deixa com a consciência em paz é que tenho a impressão de que aquele soldado sabia que minha intenção não era prejudicá-lo, mas simplesmente estabelecer um contato.


Se você ficou curioso(a) e quer saber mais sobre o Regimento de Cavalaria de Guardas clique nos links a seguir:

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Dias melhores virão...








Há tempos cinzentos, nebulosos...
Dias em que tudo é apenas contorno e sombras,
em que alguns males afligem o coração.
Entretanto, apesar e além de tudo, 
se esconde no mais íntimo do ser
a latente certeza de que dias melhores virão...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Catarse


Hoje quero me desprender de tudo aquilo que me paralisa. Quero assumir uma nova postura diante das coisas que ouvi, que vi, que vivi. Quero me livrar de toda a poeira que ficou impregnada em meus pés e não desgrudou, especialmente daqueles lugares onde não fui bem recebida. Quero me libertar de todos aqueles que tentaram sequestrar minha subjetividade. E eu mesma soltar as amarras mentais que me mantém refém de mim mesma. Quero ser o projeto original desenhado pelo Criador e não as alterações sem controle que querem fazer de mim. Construirei ao longo desses dias espaços e tempos de silêncios que me ajudarão a aprender a me amar e me dispor para o outro. Darei a cada dia passos mais firmes e seguros em direção à felicidade. Aprenderei a pontuar a vida da maneira mais serena e adequada. Exclamar quando houver espaço, indagar sempre que necessário, pontuar sempre! Ser cara de exclamação para aqueles que mais amo. Buscarei a facilidade para o perdão e não para o desamor. Prestarei mais atenção ao que sinto, expressarei os meus desejos. Serei cada vez mais dona da minha própria vida, do meu ser e responsável pela qualidade de vida que busco e mereço. Farei bom uso da mais fantástica ferramenta que Deus deixou que é o meu corpo. E o transformarei no melhor invólucro para a essência divina que nele habita. Quero reconhecer cada vez mais em mim a imagem do Cristo que sempre devolveu ao outro o que cada um é. Quero ter a alegria de me saber e de reconhecer que o outro também é. Amar o outro passa, inegavelmente, pelo exercício de amar-me. E é nessa empreitada que irei seguir. A passos largos e firmes, mas sem pressa. Com a calma e a convicção de quem conhece os próprios limites e sabe que a pressa pode ser prejudicial. E, quando achar que já estou pronta, quero ter a graça de descobrir que ainda falta algo, que ainda existirão traços a serem definidos e desenhados, mas que o resultado visível já apresenta contornos de uma sensacional obra de arte.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

De Ano Novo, Novo Ânimo, Ânima Nova...

(*,*)Respirando profundamente para inspirar as boas coisas que o ano novo quer trazer. Começo de ano, recomeço de vida... Para quem? Talvez para quem tenha a capacidade de perceber suas próprias dificuldades e mazelas e que tenha a coragem de buscar resolvê-las. Que o inspirar o novo, traga novo vigor às antigas atividades e ocupações. Que ventile e areje as relações. Que desopile e amenize as preocupações. Que o novo ano traga também novo ânimo. E renovados prossigamos todos conscientes dessa linda e desafiadora jornada que é Ser...(*,*)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A Inexorável Força do Tempo

Naquela manhã ela acabara de deixar o carro no estacionamento do trabalho. Como sempre apressada (atrasada, pra variar) passava pela portaria e se dirigia às escadas (praticamente a única atividade física que fazia nos últimos tempos). Antes que ela alcançasse os degraus, uma pessoa se colocou à sua frente. Estacou. Era um homem alto, vestia um terno escuro e usava um chapéu sobre a cabeça coberta já por fios de cabelo bastante grisalhos. Ele estava de costas e não viu quando ela parou abruptamente para deixá-lo passar. Com a bolsa na mão direita, uma pasta na esquerda e o olho no relógio ela deu passagem ao homem. Então, ele passou à sua frente, segurou o corrimão com a mão direita e, vagarosamente elevou o pé direito para, muito lentamente, colocá-lo no primeiro degrau.

Ela praticamente colada às suas costas já estendia a mão para o corrimão, com a velha pressa de sempre. Quase esbarrando no homem à sua frente, foi que percebeu que o ritmo que se instalava naquele momento era outro. Então recuou um passo e atentamente observou o que parecia ser a ação de caminhar eternizada a cada passo. O relógio parou de marcar o tempo: não havia segundos, minutos ou  horas. Somente os pés daquele homem idoso, pisando os degraus da escada. Devagar e cautelosamente, ela seguia atrás dele, sem ruído, para não lhe causar algum tipo de pressão. Por mais pressa que tivesse, o tempo eterno daquele instante a fez refletir que chega um momento na vida em que a pressa simplesmente deixa  existir. Foram alguns mínimos segundos que pareceram longos minutos. Apenas um pensamento lhe veio à mente: a cada passo dado, a cada degrau vencido, a cada impressão digital deixada no corrimão; em cada fio de cabelo grisalho escondido embaixo daquele chapéu existe, e continuará existindo, a INEXORÁVEL FORÇA DO TEMPO....