sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Gentileza

Na manhã de sexta-feira que hoje começou muito preguiçosa por causa da chuva que caía persistente, não tive escolha: fui obrigada a desacelerar. O trânsito lentamente fluía por entre os ‘ésses’ das obras no percurso para o trabalho. Escolhi, porém, desligar o rádio e utilizar uma habilidade subutilizada nos tempos corridos de ultimamente: a capacidade de observar. Pude perceber como o cenário fica diferente com as nuvens carregadas de chuva, pesando sobre a terra, prestes a desabar: tudo mais verde, mais vistoso, mais tenro. Também pude notar as mudanças provocadas pelo homem na paisagem: ontem não vira aquele desvio; não tinha percebido aquela bifurcação; muito menos aquela edificação. Tudo parecia novo, num cenário tão familiar, repetidamente visitado. Outras novidades durante o percurso: as pessoas por ali (na verdade, já reparava nas pessoas, mas não de modo tão detalhado). Simples trabalhadores da construção civil. Importantes personagens sem identidade e sem rosto. Trabalham sem descanso nessas obras empreitadas, interferindo diretamente na mudança do cenário. Pude hoje olhá-los com outro olhar. Pude vê-los. Sob o sol escaldante ou sob a chuva insistente, lá estão eles. Na manhã preguiçosa e nebulosa de hoje acompanhei a tocante cena: uma senhora de idade se esforçava para passar por um meio-fio em meio à confusão de terra, pedras, cimento e lama. Um desses trabalhadores que auxiliava o tráfego correu até a senhora lhe estendeu a mão e a ajudou a vencer o obstáculo.

Do outro lado da rua a senhora teria a mesma dificuldade pois o meio-fio também era alto. O trabalhador acenou para o companheiro e indicou a senhora. De pronto o homem foi ao encontro e a auxiliou a concluir a travessia. Enternecida com a cena nem percebi que os carros adiante avançaram alguns metros. Sorri. Pensei na simplicidade e na força que tem a gentileza. A imagem ficou marcada nas minhas ‘retinas tão fatigadas’ e alegrou a nebulosa manhã. Fui trabalhar pensando em como faz bem ser gentil e em como é bom receber um gesto de gentileza. Talvez se as relações humanas fossem pautadas em gentileza o mundo fosse diferente. Pra terminar essa semana duas dicas: a primeira é ler sobre o Profeta Gentileza (http://pt.wikipedia.org/wiki/Profeta_Gentileza) que inspirou essa maravilhosa letra de Marisa Monte: (http://letras.mus.br/marisa-monte/47282/).
A segunda dica é fazer sempre o bem, sem olhar a quem. Bom final de semana!
By M@riBlue.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quando eu ganhar a mega-sena...


Fonte da Imagem: http://lendasfolcloricas.blogspot.com.br/p/brincadeiras-e-jogos.html

É um pouco triste ficar imaginando que a minha vida seria melhor depois que eu ganhasse na mega-sena. Por que assim que eu ganhasse começaria a fazer uma série de coisas com as quais eu tantas vezes sonhei mas nunca imaginei alcançar. Como por exemplo viajar à Itália ou à Grécia. Ou ter a chance de visitar diversos lugares maravilhosos pelo Brasil.
Quem nunca fez planos sobre o que fazer depois de ganhar a mega-sena que atire a primeira pedra!
Entre fazer viagens pelo mundo, ir à Disney, se livrar das dívidas, largar o emprego, abrir um negócio próprio, comprar uma casa, se mudar para o litoral, sair do país, ir para um lugar remoto, viver de aventura, fazer um cruzeiro, gastar tudo em Las Vegas, ajudar carentes (e parentes!) enfim, quaisquer dessas coisas podem ser razões suficientemente fortes para fazer com que muita gente no mundo inteiro tenha o hábito de tentar a sorte apostando em loterias. Faço parte desse universo de pessoas. Infelizmente, acho. Fico pensando em como seria mais interessante se todos nós tivéssemos condições econômicas adequadas  e acesso às coisas boas que a vida pode oferecer.
Mas ‘todos nós’ pode parecer muita gente, né? Quase todas as coisas boas do mundo exigem uma contrapartida financeira bastante significativa. Não escrevo aqui para falar sobre justiça social ou igualdade econômica. Mas me incomoda o fato de que algumas pessoas trabalhem tanto e geralmente ‘morram na praia’.
Será que todo esse contingente está mesmo fadado a esse destino? Me inquieta um pouco esse tipo de conclusão. Quero crer que existam maneiras de ascensão ao alcance de todos. Hoje desejo pensar grande, pensar pra cima, pensar positivo.
Assim, quando eu ganhar na mega-sena irei fazer todas aquelas coisas que fico imaginando que vou fazer e desejarei do fundo do meu coração que isso possa acontecer com todas as pessoas do mundo!
Mas no fundo mesmo, lá no fundinho do meu ser, minha esperança era de que cada um pudesse fazer todas essas coisas que tem vontade como recompensa pelo seu trabalho honrado, suado e digno. Esse sim, era o meu maior desejo...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Escrever, a que será que se destina?

Considerando a necessidade comunicativa dos seres humanos por meio da fala, a escrita se consolida como uma das maneiras de expressão dos sentimentos, das ideias e das opiniões de modo sistemático, organizado e intencional.

A fala em si, como modalidade de expressão, possui recursos próprios que a tornam um eficiente meio de comunicação, entre os quais os gestos e expressões faciais, facilmente perceptíveis ao interlocutor.
A escrita, entretanto, requer um apurado trabalho de seleção vocabular, um criterioso e apurado exercício de combinações de símbolos, palavras e sinais gráficos que lhe confiram a credibilidade e a efetividade comunicativa.
A popular expressão ‘falar é fácil’ ganha nova força se compararmos o ato de falar ao ato de escrever. Assim, é possível afirmar o seguinte: falar é fácil; escrever é algo bem mais complexo.
Para alguns escritores escrever é mais que um hábito, é uma necessidade. E como necessidade que é precisa ser satisfeita e abrandada regularmente. É algo como ter sede ou fome. Torna-se uma necessidade vital.
Bons livros e bons escritores marcam indelevelmente as mentes e os corações das pessoas em qualquer parte do mundo, tamanho o poder da palavra escrita. Poemas apresentam força suficiente para comover profundamente um leitor desavisado. Palavras podem seduzir, convencer, arrebatar e laçar definitivamente as pessoas.
A escrita como resultado da satisfação de uma necessidade humana transforma-se por vezes em bálsamo, acalanto, conformação e cura; por outras vezes, porém, pode ser motivo de inquietação, desordem, provocação ou fúria. Pode conduzir ao riso ou ao pranto. Pode descrever a morte, mas pode celebrar a vida.
E o questionamento permanece: Escrever, a que será que se destina?
Talvez se destine a manter pulsante a vida que habita cada ser humano, para dar conta das coisas que não podem ser expressas em palavras jogadas ao vento, mas que estarão eternizadas ao serem escritas, registradas, organizadas, combinadas, selecionadas, calculadas, intencionalmente arranjadas.
Escrever é um regozijo, uma alegria. É uma ânsia e um alívio. É um ato de liberdade maior. É o esvaziamento do ser em constante atividade de erupção das ideias incandescentes e maravilhosamente fecundas que habitam a alma humana.
A cada frase, a cada parágrafo, a cada página escrita, fragmentos de alma são deixados nas palavras, nas estórias, nas tramas, nos enredos, nas epopéias, nas densas, complexas e extraordinárias criações que são concebidas ao longo da história humana e que se transformam em um legado de valor incalculável.
Com a escrita a vida continua sendo revelada, desvelada, recriada, reinventada. E a história humana nunca se repete e é revolucionada.
Cabe ao escritor reinventar a vida a cada novo texto. Compete ao escritor dar nova cor ao cinza da rotina e do costumeiro.
Escrever é a arte pintar com novas e estonteantes cores as paredes da história humana. Por meio de suas pinceladas vigorosas e mágicas, o escritor muda o rumo dos fatos e revoluciona a vida. Subverte a lógica e insere no contexto monótono dos dias comuns as maravilhas dos contos de fadas e das fábulas. Torna possível o irreal e realiza o impossível.
Escrever é um milagre.

by M@riBlue.



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Quem disse que o povo não gosta de arte?!

Recentemente li uma matéria sobre a relação entre o contato com a arte e o altruísmo. A pesquisa foi realizada pela Universidade de Illinois e trouxe o seguinte resultado: pessoas que se interessam por arte são mais gentis, fazem mais boas ações e tem responsabilidade social.


De modo geral, acredito que o interesse do povo pela arte é diretamente proporcional à sua possibilidade de acesso à arte.

Para ilustrar isso de maneira bem contundente citarei a exposição das telas de Caravaggio realizada no Palácio do Planalto no período de 06 a 14 de outubro de 2012.

Foram apenas seis obras do artista michelangelo Merisi di Caravaggio mas que levaram uma pequena multidão de apreciadores ao Palácio: mais de 13 mil pessoas passaram por lá para admirar a expressiva arte do consagrado pintor barroco.

As palavras da Presidenta Dilma na ocasião reforçam a importância da exposição e o interesse do povo pela arte: "É um encantamento poder permitir que milhares de brasilienses que nasceram aqui ou que visitam essa cidade tenham acesso a essas seis obras de arte". (As seis pinturas expostas em Brasília foram San Girolamo che Scrive; San Francesco in Meditazione; Ritratto di Cardinale; San Giovanni battista che Nutre l'Angello; Medusa Murtola e San Gennaro Decollatto o Sant'Agapito).

Retomando a fala inicial a respeito da pesquisa sobre apreciar arte e ser mais gentil, fico imaginando se o povo, de modo geral, tivesse mais acesso à arte, isso desde a mais tenra infância, em casa e na escola; fico imaginando se o altruísmo se refletiria nas ruas e se as relações interpessoais seriam menos truculentas e violentas...

Será???

Mais notícias sobre a exposição de Caravaggio:
(as imagens foram extraídas dos respectivos links):









quinta-feira, 25 de outubro de 2012

John William Waterhouse

Garimpando imagens para acompanhar o texto “Presença Desconsertante” postado ontem, 24/10, tive a grata oportunidade de conhecer um pintor chamado John William Waterhouse. Ele nasceu em 6 de abril de 1849  e faleceu em 10 de fevereiro de 1917. Foi um pintor neo-clássico e Pré-rafaelita do Reino Unido, famoso por seus quadros representando personagens femininas da mitologia e da literatura. Filho de artistas, as suas primeiras incursões na pintura foram influenciadas pelo neoclassicismo vitoriano, pelo pré-rafaelismo e mais tarde sentiu-se atraído pelos impressionistas franceses. Se no princípio da carreira se dedicou a temas da Antiguidade Clássica, mais tarde debruçou-se sobre temas literários, sempre com um estilo suave e misterioso, repleto de romancismo, que o permitram ser enquadrado no simbolismo. O seu quadro mais famoso é The Lady of Shalott. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/John_William_Waterhouse.
Achei as pinturas tão maravilhosamente belas que resolvi compartilhar com vocês (podem ser visualizadas em: http://www.johnwilliamwaterhouse.com/home/.







quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Presença Desconsertante


(...) Não importa se ela não o vê desde o ano passado. Não importa se ela nem estava lembrando de sua existência.É assim cada vez que ele põe os pés no mesmo ambiente. Ela sabe que ele está ali. Ela sente sua presença. Ela simplesmente olha em volta e – bingo! – lá está ele. E depois que ele se vai a recordação de sua presença permanece com ela por um bom tempo. Uma das últimas vezes em que aconteceu ela tentou ignorá-lo (afinal ele nem fazia mais parte de sua caixinha de possibilidades).
Ela percebeu sua presença enquanto dançava. De fato, ele estava ali e a fitava. Em outro momento ela o viu através do vidro do restaurante. Ele passava altivo, gesticulava e sorria, falando com alguém. Enquanto a imagem real dele desaparecia na parede branca, sua imagem mental já ficava gravada na mente dela. E como custava a sair! Era como aquele cheiro bom que a gente tem gravado na nossa memória olfativa (cheiro do bolo da vó saindo quentinho do forno; cheiro de um café fresquinho; de um vinho apreciado; cheiro de livro novo; cheiro de lençol e travesseiros limpos; cheiro do corpo da pessoa amada). Mas, de ordinário, a vida segue seu curso... o tempo passa. Ela tem a sensação de que será sempre assim... Ele será sempre aquela presença desconsertante. Como um vento breve e repentino, que despenteia e desalinha. Como aquele cheiro bom que de vez em quando a memória se encarrega de trazer à tona no meio de uma tarde morna para dar ao coração uma centelhazinha de felicidade.
(...)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As curvas da estrada de Santos

Faz um tempo já que curvas povoam a minha rotina em muitas horas do meu dia. Mas não me refiro a quaisquer curvas.

Nem às surpreendentes e reveladoras curvas do circuito de Fórmula 1 de Suzuka-Japão, na opinião do piloto Sebastian Vettel.

Nem às sinuosas curvas das montanhas de Petrópolis que, em matéria publicada no Jornal O Globo em junho de 2012, convidam a cada volta a ‘uma gelada’, considerando-se a quantidade de bares e quiosques que anunciam a bebida a preços módicos e indo de encontro à lei seca e à segurança dos motoristas que cedem à sede e à tentação da publicidade insistente.



Também não me refiro às curvas de alguma celebridade-fruta ou de algum fisiculturista.
Muitos menos às curvas da inflação nos gráficos dos economistas; a menos que sejam descendentes!
O termo curvas pode remeter a diversos assuntos: particularmente nos dias atuais a primeira coisa que me vem à mente com a menção da palavra é a dança denominada zouk. É uma dança extremamente sensual. Toda cheia de ‘ésses’. Costumo brincar que no zouk se aprende a fazer ‘ésses’ verticais, diagonais, paralelos, horizontais e em todas as direções (pausa para uma digressão: fiquei pensando que a palavra ‘SenSual’ não poderia ser grafada sem essa letra cheia de curvas, não é?).

 Mas acredito piamente que uma das curvas mais conhecidas são as Curvas da Estrada de Santos ‘en-cantadas’ pelo Rei Roberto Carlos (não o jogador de futebol!), mas o grande Rei da Música Brasileira.


Claro que essas curvas serão lembradas pela maior parte de nós brasileiros.

Bem, mas ainda não me refiro a essas curvas tão famosas.

Refiro-me às curvas que estão em franco processo de construção, que a cada novo dia surgem mais sinuosas e surpreendentes. Curvas que inesperadamente surgem cheias de charme e de mistérios. Chega a ser instigante pensar nessas novas curvas na calada da noite à luz do luar, ou mesmo sob a iluminação artificial, que de certo modo as favorecem, amplificam e até revelam. Elas me fazem questionar se mais curvas surgirão nos dias seguintes e nos tempos futuros. Eu espero sinceramente que sim!

Na verdade, estou me referindo às curvas que faço todas as manhãs e noites no percurso de minha casa ao trabalho. É que minha cidade está em obras.

E a cada manhã mais uma curva surge; mais ‘ésses’ aparecem no trajeto. Só que não recebem esse nome tão sugestivo. Geralmente aparecem em placas alaranjadas sob o pseudônimo de ‘desvio’.

By M@riblue.