quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Presença Desconsertante


(...) Não importa se ela não o vê desde o ano passado. Não importa se ela nem estava lembrando de sua existência.É assim cada vez que ele põe os pés no mesmo ambiente. Ela sabe que ele está ali. Ela sente sua presença. Ela simplesmente olha em volta e – bingo! – lá está ele. E depois que ele se vai a recordação de sua presença permanece com ela por um bom tempo. Uma das últimas vezes em que aconteceu ela tentou ignorá-lo (afinal ele nem fazia mais parte de sua caixinha de possibilidades).
Ela percebeu sua presença enquanto dançava. De fato, ele estava ali e a fitava. Em outro momento ela o viu através do vidro do restaurante. Ele passava altivo, gesticulava e sorria, falando com alguém. Enquanto a imagem real dele desaparecia na parede branca, sua imagem mental já ficava gravada na mente dela. E como custava a sair! Era como aquele cheiro bom que a gente tem gravado na nossa memória olfativa (cheiro do bolo da vó saindo quentinho do forno; cheiro de um café fresquinho; de um vinho apreciado; cheiro de livro novo; cheiro de lençol e travesseiros limpos; cheiro do corpo da pessoa amada). Mas, de ordinário, a vida segue seu curso... o tempo passa. Ela tem a sensação de que será sempre assim... Ele será sempre aquela presença desconsertante. Como um vento breve e repentino, que despenteia e desalinha. Como aquele cheiro bom que de vez em quando a memória se encarrega de trazer à tona no meio de uma tarde morna para dar ao coração uma centelhazinha de felicidade.
(...)

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

As curvas da estrada de Santos

Faz um tempo já que curvas povoam a minha rotina em muitas horas do meu dia. Mas não me refiro a quaisquer curvas.

Nem às surpreendentes e reveladoras curvas do circuito de Fórmula 1 de Suzuka-Japão, na opinião do piloto Sebastian Vettel.

Nem às sinuosas curvas das montanhas de Petrópolis que, em matéria publicada no Jornal O Globo em junho de 2012, convidam a cada volta a ‘uma gelada’, considerando-se a quantidade de bares e quiosques que anunciam a bebida a preços módicos e indo de encontro à lei seca e à segurança dos motoristas que cedem à sede e à tentação da publicidade insistente.



Também não me refiro às curvas de alguma celebridade-fruta ou de algum fisiculturista.
Muitos menos às curvas da inflação nos gráficos dos economistas; a menos que sejam descendentes!
O termo curvas pode remeter a diversos assuntos: particularmente nos dias atuais a primeira coisa que me vem à mente com a menção da palavra é a dança denominada zouk. É uma dança extremamente sensual. Toda cheia de ‘ésses’. Costumo brincar que no zouk se aprende a fazer ‘ésses’ verticais, diagonais, paralelos, horizontais e em todas as direções (pausa para uma digressão: fiquei pensando que a palavra ‘SenSual’ não poderia ser grafada sem essa letra cheia de curvas, não é?).

 Mas acredito piamente que uma das curvas mais conhecidas são as Curvas da Estrada de Santos ‘en-cantadas’ pelo Rei Roberto Carlos (não o jogador de futebol!), mas o grande Rei da Música Brasileira.


Claro que essas curvas serão lembradas pela maior parte de nós brasileiros.

Bem, mas ainda não me refiro a essas curvas tão famosas.

Refiro-me às curvas que estão em franco processo de construção, que a cada novo dia surgem mais sinuosas e surpreendentes. Curvas que inesperadamente surgem cheias de charme e de mistérios. Chega a ser instigante pensar nessas novas curvas na calada da noite à luz do luar, ou mesmo sob a iluminação artificial, que de certo modo as favorecem, amplificam e até revelam. Elas me fazem questionar se mais curvas surgirão nos dias seguintes e nos tempos futuros. Eu espero sinceramente que sim!

Na verdade, estou me referindo às curvas que faço todas as manhãs e noites no percurso de minha casa ao trabalho. É que minha cidade está em obras.

E a cada manhã mais uma curva surge; mais ‘ésses’ aparecem no trajeto. Só que não recebem esse nome tão sugestivo. Geralmente aparecem em placas alaranjadas sob o pseudônimo de ‘desvio’.

By M@riblue.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

De Primavera, de Chuva, de Poesia e de Brasília!


Junto com a dadivosa chuva que dessa vez chegou em Brasília antes da primavera (veio com o dia da árvore em 21/09) também vieram gratas surpresas com a  mudança da paisagem da capital federal e com o Documentário Sob o Signo da Poesia exibido na tarde de sábado (22/09), na Sala Martins Pena do Teatro Nacional. Um verdadeiro presente para os olhos, para os ouvidos, para a alma! Com a direção de Neto Borges, o documentário de 70 minutos revela uma Brasília digna de ser apresentada a todos os visitantes, a todos os funcionários públicos que aqui residem, mas que aqui não nasceram. Algumas vezes sinto que Brasília é mal-compreendida por alguns que afirmam ‘ser uma cidade fria’. Geralmente quando encontro e converso com não-nativos sempre me apresento como ‘brasiliensis rarus’ e me sinto assim, uma espécie de difícil identificação. Boa parte das pessoas com quem já troquei ideias sobre Brasília apresenta um discurso similar a respeito de Brasília e do brasiliense: frieza, burocracia, corrupção. Custa-me muito ouvir tais declarações! Ao meu modo saio em defesa da cidade e de seus habitantes, cantando as vantagens de uma população aberta à diversidade cultural, capaz de conviver com o diferente e com as diferenças. Para minha sorte e para a sorte de que quem ainda não sabe o que é Brasília, existem os artistas, os únicos seres no mundo capazes de esboçar uma definição de Brasília! Pessoas que conseguem por meio de seu olhar visionário e mágico enxergar além e desvelar – e revelar – a essência das coisas. Cineastas, poetas, dramaturgos, artistas de rua, trovadores, mímicos e mágicos contam, numa resenha perfeita, a verdadeira vocação de Brasília: “se fosse um signo seria poesia e seu ascendente seria a diversidade.” Com alegria singular e emoção sem igual vi uma Brasília ser desenhada e revelada por artistas que traduziram para a linguagem universal da expressão artística todo o sentimento, toda a graça, toda a poesia latente, vicejante e pulsante que jorra cotidianamente de Brasília. A poesia dessa cidade que tanto amo está nos olhos de quem aprendeu a ver! E agora será eternizada sob o signo da emoção na forma de um documentário que é poesia pura...

By M@riBlue.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Calor, Sorvete e Pé-de-serra...

Era uma daquelas tardes modorrentas de domingo em que o sol brilhava absoluto num céu sem nuvens e o asfalto parecia derreter com o calor dos últimos dias de inverno em Brasília. Ela então decidiu ir derreter na rua com amigas que também não desejavam ficar derretendo em casa. A programação era uma só: dançar um bom pé-de-serra pra deixar o domingo mais feliz. O combinado era se encontrarem no local do evento às 17h. Mas, lá chegando, descobriram que ‘a festa’ começaria apenas às 19h30. Entreolhares, decidiram aproveitar esse tempo livre para fazer algo bastante produtivo: tomar sorvete à beira do lago Paranoá. A sensação de derretimento teve uma pausa por alguns momentos em que elas puderam ver o sol retirando-se para adormecer e a indefinição de cores do lusco-fusco saudando a noite que chegava calmamente. Voltaram para o desejado pé-de-serra. Ainda tiveram de esperar até que a bilheteria começasse a funcionar. Mais um tempinho livre aproveitado com sucesso: altos papos filosóficos a respeito da visão de cada uma interpretando a mesma imagem, resultando em tempo-espaço-lugar para entabular conversa, provocar risos e despertar curiosidades. No final das contas, quando ‘a festa’ de fato começou elas já estavam em festa fazia tempo. Era noite já, e a brisa noturna refrescava o calor que sobrava do dia que terminara. Então, tudo era só alegria e contentamento: a música comandava o ritmo da festa e o riso contagiava a todos. Muito dois-pra-lá, dois-pra-cá, rodopios e firulas depois e o calor estava de volta a todo vapor!
Elas nem lembravam mais que saíram de casa para se livrar da sensação de derretimento provocada pelos dias quentes do final do inverno: queriam mesmo era prolongar aquela sensação boa de exaustão, calor e felicidade. Vai entender, né?

By M@riBlue.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

As Dores e Delícias de Dirigir em Brasília

De hoje em diante está decidido: meu novo horário de trabalho é das 17h da tarde até às 2h da manhã. E tenho dito!
Créditos das Fotos: Ricardo Boeira
Certa feita, em um período de férias recente, precisei me deslocar de minha casa para o local onde trabalho no horário contrário ao do expediente.
Iria me encontrar com amigas que não estavam em férias para um happy hour. Era um fim de tarde de terça-feira. Saí de casa por volta de 17h30 para encontrar as minhas amigas no estacionamento do trabalho por volta das 19h, ou seja, quando o expediente estivesse terminando.
Durante o trajeto fui percebendo uma facilidade, certa fluidez no trânsito à qual eu estava desacostumada.  Fui notando que conseguia manter uma velocidade constante e não precisava ficar trocando a marcha para fazer reduções a cada minuto. Nem mesmo meus pés tinham de ficar por todo o tempo pressionando os pedais de freio, aceleração ou embreagem.
Rapidamente alcançara a avenida de saída da cidade, não sem experimentar uma sensação de liberdade e contentamento. Que diferença guiar com tanta espontaneidade e tranquilidade!
Semelhante à sensação experimentada quando volto para casa às sextas-feiras de madrugadinha e posso curtir a sensação de exclusividade, a liberdade e a possibilidade de mudar de faixa a hora em que bem entender (e, não menos importante: sinalizar se eu quiser; contrariando o que me ensinou meu instrutor na autoescola!).
As largas avenidas de Brasília são deliciosas e convidativas na madrugada. As luzes, a vegetação e até mesmo os edifícios adquirem um encanto todo especial. Poder contemplar isso é, de fato, uma experiência singular. 
Quem passa dirigindo à noite pelas pontes JK ou Costa e Silva, quem circula pelas adjacências do Setor de Clubes Norte ou Sul, margeando as águas do lago Paranoá e já pôde observar o reflexo ora da lua, ora das estrelas, ou simplesmente das luzes da cidade sobre as águas é um ser privilegiado!
Em contrapartida, enquanto avançava na minha trajetória ao encontro das amigas pude notar na faixa em sentido contrário exatamente o oposto: carros e mais carros enfileirados, os faróis acesos, o ruído das freadas, o som das buzinas e o tráfego fluindo muito lentamente. 
Fiquei do lado oposto lembrando das inúmeras vezes em que ficara nas mesmas condições.
Quantas vezes me atrasara para chegar ao trabalho, parando a cada dez minutos, a interminável fila de carros, os ponteiros do relógio girando sem contenção, as surpresas ao descobrir se houve ou não um acidente e os pés doloridos de tanto repetir os mesmos movimentos.
O mais desalentador é o fato de que esse tipo de evento (trânsito congestionado) tem uma tendência a se tornar cada vez mais comum, especialmente em Brasília, cujo crescimento desordenado decorrente da especulação imobiliária, do inchaço habitacional causado pela falta de políticas habitacionais decentes e da atraente propaganda da cidade como promessa de vida boa e farta veiculada por políticos descompromissados com o bem-estar da população. Por aqui o trânsito tem se tornado sinônimo de transtorno.
Está na hora de se começar a pensar em soluções práticas e factíveis para o que irá se tornar um problema sério e que atingirá a população brasiliense como um todo.
De minha parte, desejo continuar tendo a oportunidade de curtir e apreciar o visual da cidade enquanto dirijo.
Nem que para isso seja necessário mudar o horário de trabalho!
Por essas e outras razões volto a afirmar: a partir de hoje meu novo horário de trabalho é das 17h às 2h da manhã, pois assim poderei contemplar as belezas da cidade sem sentir os pés cansados ao final da viagem.
by M@riBlue

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

DE 7 DE SETEMBRO, DE BRASIL E DO MEU ORGULHO DE SER BRASILEIRA!




Aqui pensando: amanhã é 7 de setembro e o significado dessa data obviamente todos, ou quase todos os brasileiros sabem. Contudo, embora seja uma data tão significativa,  estranhamente parece que não é nada. Na condição de servidora pública que sou, presenciei em parte os preparativos oficiais para a Parada de 7 de Setembro, amanhã. A estrutura para tal acontecimento começou a ser montada há uma semana. Propositalmente fiquei a observar  os detalhes sendo colocados em prática para que tudo esteja lindo e supostamente perfeito. 
Não sei se por estar presenciado tudo fiquei motivada, ou se sou assim mesmo  "empolgada" com as coisas do meu Brasil. E assim, sem mais nem menos me ocorreu que não vejo entusiasmo em ninguém pelo significado do dia. Todos se manifestam felizes por ser um feriado prolongado, pela possibilidade de não trabalhar, de viajar, etc, mas ninguém manifestou contentamento pelo acontecimento em si. Constatado o fato, começei a formular questionamentos mentais, conversando comigo mesma acerca da razão de tanto desinteresse do brasileiro por sua pátria. Será que somos assim mesmo, alheios aos nossos motivos cívicos? E mais uma vez, do nada voltei no tempo para as escolas onde estudei quando criança, e me veio à cabeça que no 2º ano do ensino fundamental existiam  aulas de Moral e Cívica....tínhamos que aprender a cantar o Hino Nacional todos os dias antes de entrar em sala e além disso era necessário fazê-lo de maneira solene, alinhados, com a mãozinha no peito, cantando bem alto, sem nos mexermos. Éramos incitados naquele momento a quase entrar em transe para garantir o respeito ao nosso símbolo maior, a nossa linda bandeira. E aí eu, do alto dos meus 7 anos, ficava toda inflada e me achando a menina mais importante do mundo por estar ali prestando homenagem ao meu Amado Brasil. Além do Hino Nacional, nos eram ensinados também o Hino à Bandeira, o Hino ao Soldado... e mais alguns outros. Fiquei saudosa ao pensar naquilo tudo e um pouco triste por constatar que coisas tão bacanas como essa se perderam ao longo dos anos. Que pena! E agora me dou conta que de todo não foi em vão essa minha reflexão. Serviu-me para constatar que antes de qualquer influência externa, nasci mesmo "empolgada" pelo meu Querido Brasil. O meu Pais é lindo, amigo, e digno de todo o respeito apesar de todas as mazelas morais que (por enquanto) o afetam. EU TE AMO MEU BRASIL!!!! ÓTIMO 7 DE SETEMBRO A TODOS.
By M@riPlus
Confraria M&M's





terça-feira, 4 de setembro de 2012

Doze homens, uma sentença; quatro damas, um cavalheiro

Tentando desconsiderar a questão matemática do título acima – o que me faz refletir se somos feitos de outra matéria mesmo que não os números: de chamada na escola; de matrícula no trabalho; de CPF, de CNH, RG, etc, etc, etc – isso sem falar na desproporção da máxima: para cada homem, 7 mulheres... Isto é, se a proporção ainda for essa... afff!
Bem, de pipoca pra piscina, a peça em cartaz no CCBB Brasília até 9 de setembro, tem suas origens no filme de mesmo título: Doze Homens e Uma Sentença, considerado o melhor e mais denso filme de julgamento da história do cinema universal. Ainda acrescentaria outro adjetivo para ajudar a definir alguns momentos da trama: tenso. Mas, ao contrário do que imaginei, a transição para o teatro temperou com humor o drama do julgamento de um garoto de 16 anos acusado de assassinar o próprio pai com uma faca.
Para mim ficou impossível não associar o título da peça com a recente (?) filmagem do filme Onze Homens e Um segredo (Ocean’s Eleven; 2001), outro filme que traz essa questão numérica à baila (que, particularmente, recomendo; especialmente pelo elenco talentoso e bem-apresentado, rsrsrs), e cuja versão original tem origem em 1960. Além desse filme foram filmadas duas sequências, Doze Homens e Outro Segredo (Ocean’s Twelve; 2004) e Treze Homens e Outro Segredo (Oceans Thirteen; 2007).
O mais interessante é que a temática do filme e da peça nem de longe é parecida, mas que os títulos ajudam a ligar as duas coisas, ajudam!
De qualquer forma, fui ver a peça com um grupo de amigos, o que torna mais divertido e interessante o fato de ir ao teatro. Éramos quatro damas e um cavalheiro que assistiam a doze homens e uma sentença, pensando em onze homens e um segredo, em trinta de agosto de dois mil e doze, com duração aproximada de uma hora e quarenta minutos.
Como percebem, não consegui desconsiderar a questão matemática do título desse post, nem da peça, ou do filme...
Serviço:
Adaptação do clássico filme, dirigida por Eduardo Tolentino de Araújo, fará 12 apresentações no CCBB. Criado para um teleteatro, na década de 1950, tornou-se um dos mais famosos filmes de tribunal, sob a direção de Sidney Lumet e protagonizado por Henry Fonda, indicado ao Oscar por sua atuação. A peça 12 Homens e uma Sentença é produzida por Ana Paz, com tradução de Ivo Barroso e direção de Eduardo Tolentino de Araújo (Fonte: www.bb.com.br/cultura).
Para quem quiser conferir, ainda há tempo:
O quê: Espetáculo 12 Homens e uma Sentença
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB - SCES, Trecho 2, lote 22, Brasília/DF
Quando: Até 9 de setembro
Horário: De quinta a sábado, às 21h. Domingo, às 20h. Duração: 1h40
Quanto: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia entrada para clientes e funcionários BB, estudantes e maiores de 60 anos).
Haverá sessões extras no dia 8 de setembro, às 18h30; e no dia 9, às 17h30.
Classificação indicativa: 12 anos.
Informações: Tel.: (61) 3108-7600 |ccbbdf@bb.com.br. | www.bb.com.br/cultura.